Como um flash

A coisa que mais me incomoda é saber que não vou te encontrar mais, por acaso, no elevador. Ou que você não vai mais me convidar pra sair. Ou que eu não posso mais te fazer cantar as musicas infantis mais bobas no meio rua (e te lembrar sua sobrinha de 3 anos). Nem te mandar mensagens dizendo que quero subir. Nem recebe-las de volta, com você me esperando.

Ou como eu te perturbava com a minha fala incessante. Que você não vai mais me tentar fazer ficar quieta por dois minutos – e desistir, porque eu sempre falo antes do tempo terminar. Que eu não vou poder te ajudar a ficar feliz, ou me deprimir junto contigo.

A forma como a gente riu junto, reclamou junto, bebeu e dancou – ou não, simplesmente viemos pra casa, tristes com o fim.

A sua curiosidade morbida sobre os outros caras que eu sai ou a sua franqueza em falar sobre as suas ex.

O jeito que você segurou minha cabeça. O modo como me abracou, no ponto final. O jeito que usou pra que eu te desse atencao. Varias e varias vezes. Ou como seu sono era tao profundo que você nunca ouvia meu despertador ou me via ir embora, descalca, no elevador…

Sao as promessas não cumpridas: o meu uniforme que você nao lavou. O jantar que eu nao te fiz.

A incerteza do amanhã.
Fica a saudade de como as coisas fluiam mais facilmente contigo do que com os outros. E isso tudo, com a duracao de um flash – uns segundos perdidos e compartilhados entre a minha vida e a sua.

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